Tradução

Dedicamos esse post aos pais e educadores


O medo faz parte do nosso instinto, é um mecanismo de defesa, de perpetuação da espécie. Sem ele, correríamos riscos de morte. É ele quem faz com que tenhamos cuidados, que calculemos os riscos durante um procedimento ou atividade. Não tem nada de errado em ter medo. Isso é inerente ao ser humano. O problema é quando o medo nos paralisa, impedindo de fazer o que desejamos, de realizar nossos planos e sonhos.
Como esse medo paralisante se desenvolve em nós? Em que momento ele começa a nos prejudicar? 

Para responder a isso precisamos compreender como se formam nossas crenças. Quando elas nos causam limitações, as chamamos de crenças limitantes. 
Elas se formam a partir das experiências negativas que temos desde a infância. 
A criança vai recolhendo informações de todas as situações vividas e vai interpretando-as. Como temos a tendência a generalizar, basta que aconteça algo errado algumas vezes para pensar que será sempre assim. E no momento em que ela passa acreditar que será dessa maneira, passa a padronizar seu comportamento e para de questionar se aquilo é realmente verdade. Acabou de ser instalada uma crença limitante! 
A idade em que elas se formam, tanto as negativas quanto as positivas, geralmente, ocorrem na primeira infância, até os sete anos.
As crenças são opiniões formadas pela fé e convicção. Se forem questionadas, não tem explicação racional ou lógica. “São assim porque são. Porque meus pais diziam que era assim, que meus avós faziam dessa maneira…” 

Os comportamentos, as avaliações e os comentários dos pais contribuem para a formação de crenças na criança. 
O método de educação que é passado ao filho é baseado nas experiências de vida dos pais. Isso é natural, afinal julgam fazer o melhor para seus filhos. O problema é que muitos pais desenvolvem medos com ameças e crenças limitadoras. 

Quantos adultos têm medo do escuro, porque seus pais diziam à criança que encontraria personagens atemorizantes fictícios de histórias ou folclore caso fossem em algum lugar que os pais não desejavam? 
Os professores das séries iniciais também tem uma participação importante nisso, pois podem criar outras crenças ou reforçar às dos pais. 

Pais e educadores precisam ter muito cuidado com o que dizem. Não façam comentários humilhantes e/ou vexatórios. Precisamos educar, sim é verdade, porém não temos o direito de criar adultos limitados no futuro. 

Quando precisar reprender uma criança, fale da sua atitude inapropriada, nunca da sua identidade. Você pode conversar e dizer que não ficou contente com o que ela fez, porém jamais use expressões como “você é burro, não aprende nunca”. A criança poderá acreditar que não é boa o bastante. E como isso poderá se manifestar na sua vida adulta? Perdendo sempre seus empregos, por exemplo. Reforçando, ainda mais, aquela crença. 

Existe uma grande diferença entre fazer e ser. Atitudes podem ser modificadas. No entanto, como modificar a imagem que uma criança tem de si mesma, como pessoa, o seu “eu”? 
As crenças que atingem a nossa identidade são as mais limitantes. São a partir dos comentários que a criança ouve que construirá a imagem que ela terá de si própria. 

O que você acha que acontecerá se ela escutar: “Você não presta pra nada…”, “você é estabanado”, “você é burro”, “seu irmão é melhor que você”, “isso é demais para você, procure algo que esteja ao seu alcance” ou “sua voz é horrível”? 
Para a criança, os pais sempre estão certos. São os seus modelos. As palavras deles têm um peso muito grande. Afinal, eles representam a autoridade. 

Quanto a falar em público, é comum encontrarmos adultos que tiveram experiências negativas na infância ou que receberam comentários limitadores ou humilhantes dos pais e/ou dos professores. 

Não exija perfeição de suas crianças ou de seus alunos. Valorize o esforço dela, mesmo que não tenha ficado como “você” desejava. Lembre-se, não está bom, ainda! É só uma questão de repetição e treino. Nós também não somos perfeitos. E aquilo que fazemos muito bem hoje, no início não foi assim, nós também tivemos que praticar bastante.

Não faça comparações entre duas crianças, principalmente irmãos. Cada ser humano é único. Cada um tem a sua forma de enxergar aquela experiência que está vivendo. Não existe apenas uma única maneira ou a correta, de entender ou codificar o que nos rodeia. 
Vários filhos passam pela mesma experiência e cada um reage de uma forma distinta. Por exemplo, uma criança sai correndo para brincar e tropeça em algo no chão e cai. Uma poderá concluir mentalmente: “preciso ter mais cuidado ao correr”, enquanto outra poderá pensar “correr é perigoso, não vou mais correr”. 

É comum as escolas fazerem apresentações para as famílias em datas comemorativas, dias das mães, pais, etc. São nessas ocasiões que os pais e educadores precisam estar atentos, pois podem contribuir para criar um futuro adulto com medo de falar em público. Aponte os pontos positivos. Valorize a  postura da criança, a sua coragem de subir lá e declamar aquela poesia diante de tantas pessoas. Incentive-a a continuar, pois isso contribuirá para melhorar o seu desempenho. 

Os professores precisam inibir comportamentos de outras crianças como rir ou debochar enquanto uma expressa a sua opinião. Criem um clima afetuoso, amigável e respeitoso na sala de aula. 
Quanto mais à vontade as crianças estiverem para errar, melhores oportunidades terão para refletir e procurar novas estratégias. Afinal, não existe fracasso, apenas oportunidades para aprender. Criem oportunidades e desafios possíveis de acertos para a criança. E à medida que ela vai conseguindo, proponham novos desafios. Sempre reforçando a sua identidade e a sua capacidade. 

Em 1968, os pesquisadores Robert Rosenthal e Lenore Jacobson, da Harvard University, realizaram um estudo numa escola fundamental da Califórnia. 
Aplicaram um teste de inteligência em todos os alunos. Depois, escolheram 20% dos alunos por sorteio. E disseram para os professores que escolheram pelos resultados dos testes. Afirmaram que tais crianças tiveram um excelente resultado no teste e que apresentariam um rendimento elevado durante o ano letivo. 
Os nomes das crianças foram revelados somente aos professores. Nenhuma criança ficou sabendo dos resultados. 

A única diferença que havia entre tais crianças e as demais, era a expectativa criada na mente dos professores. Como eles esperavam que tais crianças agissem e se comportassem como crianças inteligentes, as trataram como se elas realmente fossem mais inteligentes e talentosas que as demais.  

Todas as crianças foram testadas novamente no final do ano. Aqueles 20% tiveram realmente uma performance significativamente melhor que as demais crianças. 
Por que isso aconteceu? Porque os professores mudaram suas atitudes em relação a tais alunos. Ficaram mais receptivos, envolvidos com sua aprendizagem. Criaram um clima de afetividade, entusiasmo e confiança que influenciou positivamente o desempenho de tais alunos. 
Na psicologia ficou conhecido como “Efeito Pigmalião”. E o inverso, que infelizmente também é verdade, é chamado de Efeito Golem. 
Isso evidencia a importância dos professores na formação de crenças, tantos positivas quanto negativas em seus alunos. 

Algumas vezes a criança nem precisa passar por uma experiência negativa, basta ver a reação do pai ou da mãe diante de algo que já passa a acreditar naquilo. Por exemplo, se a mãe tem uma reação muito intensa ao ver uma barata, muito provavelmente a criança passará a ter medo também. Pois ela tem uma forte identificação com as pessoas que lhe são significativas e passa a introjetar comportamentos como se fossem seus. 
O que você acha que acontecerá se os pais contarem em casa, diante dos filhos, sobre suas experiências negativas em reuniões do trabalho, demonstrando e falando sobre o seu medo de falar em público? 

Veja alguns exemplos de outras crenças limitantes que os pais podem transmitir para os filhos, falando e expondo a sua opinião, e que podem sabotar o futuro sucesso financeiro do filho: 
Dinheiro só traz desgraça; 
Todo rico é ladrão; 
Dinheiro não traz felicidade; 
Dinheiro é sujo; 

Que sabotam a felicidade nos relacionamentos: 
Não nasci para ser feliz; 
Ninguém vai me querer; 
Nenhum homem presta; 

Que sabotam o sucesso no trabalho: 
O sucesso atrai pessoas falsas; 
Quanto mais sucesso, mais responsabilidade e menos tempo para aproveitar a vida; 
Isso não é para mim; 
É melhor trabalhar como empregado. Ser patrão tem muitas responsabilidades; 
“Quem nasceu para tostão nunca vai chegar a milhão”; 

Ao conversar com seu filho, utilize um vocabulário que ele consiga compreender o seu real significado. 
Imagine o que uma criança poderá pensar e, até mesmo, fantasiar ao ver seu pai descontrolado, irritado, dizendo que se atrasou para o jantar porque ficou “preso no trânsito”? Algumas crianças podem perguntar o que é ficar preso no trânsito. Outras ficam assustadas e não perguntam. Comentários dessa natureza, podem fazer com que uma criança tenha medo de dirigir quando adulto. 
O episódio em si é esquecido, ficando apenas a emoção gravada no seu inconsciente. 

Sempre que uma criança quiser falar em público, seja numa reunião de família ou na escola, apoie e valorize. Porém, tenha bom senso para não expor a criança a situações que possam ocorrer comentários vexatórios ou humilhantes. Verifique o contexto, as pessoas presentes e decida se é o local ou a situação é apropriada para isso. 

Os pais que têm medo de falar em público, precisam ter cuidado para não transmitir isso aos filhos. As crenças podem ser quebradas. Então, porque continuar a transmiti-las para outras gerações? Qual é a garantia que você tem que acontecerá o mesmo com seu filho, só porque aconteceu com você? 

Ouvimos pessoas dizer: “Eu já tentei de tudo e não perdi esse medo”. O que você realmente fez, o que é esse “tudo”? E o que você não tentou e que poderia ajudar? O que te impede de adquirir as habilidades de que precisa? Questione racionalmente as suas crenças. 

Agora, que entendemos que percebemos a realidade através das interpretações das nossas experiências, é possível investigar e descobrir o que tem por trás de um comportamento negativo. E descobrir que tem ali um condicionamento mental gravado e reforçado toda vez que algo semelhante acontece. 

Não é nossa intenção, nem deve ser a sua, em procurar culpados, tão pouco produzir sentimentos de culpa em ninguém. 
O que queremos é proporcionar uma reflexão para que pais e educadores tenham a consciência da sua importância na formação de crenças em uma criança. 

É possível formar crenças positivas, assim como podemos quebrar crenças negativas. Como fazer isso? Usando o mesmo princípio para a formação dela, a repetição. Reforçando aspectos positivos, principalmente, na identidade da criança: “Você é inteligente”, “você consegue”, “quanto mais você tentar, mais fácil será”, “você está indo bem”, “estou orgulhoso de você”, “você é bom nisso”, “parabéns”! 
Desenvolva a autoconfiança e autoestima da sua criança. Soltem as amarras e permita que elas tenham um futuro brilhante. Você é responsável por isso.


Imagine se você pudesse fazer qualquer coisa no mundo sem sentir medo ou qualquer sentimento negativo. O que você faria? Quem você seria hoje? Onde você estaria? 

O nosso medo de fracassar é implantado na infância devido a excessiva proteção dos pais. Quantas vezes você já ouviu a palavra “Não!”, “Cuidado!” ou “Isso não vai dar certo!”? 

Após algum tempo começa-se a ter cuidado com o que se faz. Procuramos aprovação de uma figura de autoridade para nos certificarmos que está tudo certo. 

A medida que vamos crescendo, essa crença negativa se torna inconsciente. Nós nem sabemos que ela está lá, latente, direcionando nossas escolhas; vivemos nossas vidas da melhor forma possível.....dentro dessas “grades”.

Superar o medo do fracasso não é fácil, mas pode ser feito, desde que você esteja determinado a vencer essa barreira. Não existe nenhuma pílula mágica que irá transformá-lo em um herói destemido, existe sim passos que o deixarão mais próximo da liberdade, tais como: 

Simplificar 

“Coragem é a capacidade de agir apropriadamente mesmo quando morrendo de medo.” General Omar Bradley
É difícil imaginar algo complexo e, se tentar, vai sentir-se sobrecarregado e sem motivação. A meta, qualquer que seja, parecerá impossível, então para que tentar?

Simplifique as tarefas, defina pequenas metas atingíveis em um curto espaço de tempo (semanal, quinzenal…). É como se o seu objetivo maior fosse o centro de uma cebola. Retirando pétala por pétala (metas menores) logo alcançará o que deseja. Experimentar resultados satisfatórios aumentará a sua motivação e sua persistência para alcançar uma meta mais complexa. 


 Fracassar é Inevitável 

“O segredo da felicidade é liberdade e o segredo da liberdade, coragem.” Thucydides
Vamos ser honestos, fracasso é inevitável, caso você escolha viver uma vida notável. Acreditamos que você opte por uma vida cheia de paixão, significado e propósito. Mas isso não vai acontecer se você sucumbir a seus medos e permanecer na sua zona de conforto. Mais cedo ou mais tarde você vai ter de superar o medo do fracasso, bem como muitos outros medos durante a sua vida. Se você quer a vida dos seus sonhos, faça o fracasso parte dela. 

Falhar mais 

“O homem que teme o sofrimento já está sofrendo pelo que teme.” Michel de Montaigne
Quanto mais você "falhar", mais rápido conseguirá o sucesso. Não existe falha, apenas “feedback”. Agarre a chance de melhorar o que está fazendo. Pergunte-se, o que posso aprender com isso? Recomece diferente, usando o que aprendeu.

Faça como Thomas Edison – quando questionado pelos seus companheiros sobre seus mais de 1000 fracassos –, ele disse que nunca fracassou, apenas aprendeu mil maneiras de como não se faz uma lâmpada.
A diferença entre uma pessoa bem-sucedida e o suposto “fracassado” é sua percepção de que o fracasso é parte do caminho.

O Fracasso é Temporário 

“O fracasso é um evento, nunca uma pessoa.” – William D. Brown
Pode parecer que o fracasso é permanente, mas não é. Sabemos disso, mas agimos como se fosse. 
Talvez o erro seja exatamente o que você precisa. Pode ser a lição que faltava para ter sucesso. O fracasso não é fácil, mas é o que vai fazer você a pessoa que você quer se tornar.

O medo do fracasso é apenas um pensamento que evoca sentimentos negativos. No entanto, isso não é real. Muitas vezes é exagerado e fora de controle. Por que dar poder aos seus pensamentos quando tudo o que eles fazem é levar você a se sentir mal?  

Identificar a causa raiz  

“Coragem é o medo aguentando um pouquinho mais”. Thomas Fuller
Você já se perguntou de onde o seu medo do fracasso se origina? Reserve algum tempo para você mesmo, sente-se, respire fundo por alguns instantes e pergunte-se quando o medo se formou. Nosso inconsciente pode nos responder com imagens, lembranças, sensações… observe o que você pode ver, sentir ou ouvir.

Quando identificar a causa, você verá que a sua interpretação do acontecido está longe de ser precisa. Procure dar um outro significado, encontrar uma nova explicação para o que aconteceu. 

Como se faz isso? 
Analisando o que aconteceu no passado com a sua percepção atual, “ver” com os olhos do adulto e não mais com os da criança. Se seus pais eram excessivamente protetores, ou se algum professor foi particularmente rigoroso, você verá que eles pensavam ser o melhor para você e, mesmo que não conseguiram fazer mais, tenha certeza que fizeram o melhor que eles podiam fazer dentro das possibilidades que tinham. 
Observe esse evento do passado como se fosse um filme e você um expectador assistindo. Você vai notar que a sua percepção do fato ocorrido no passado vai mudar.

É fundamental analisar todas as suas crenças negativas porque elas têm uma grande influência sobre o modo como você vive a sua vida.
  
Libertar sua Mente 

"A mente é tudo. O que você pensa, você se torna. "- Buddha
Os pensamentos podem ser eliminados, sentimentos podem ser aliviados, e os medos podem ser superados. Você pode enfrentar seus medos sozinho ou procurar ajuda com um profissional de Coaching, PNL, EFT, hipnose, terapia.

A vida é cheia de possibilidades, portanto, deixe de ser escravo de sua mente, sua programação e as crenças da sociedade. O que você pensa você se torna, portanto certifique-se de acertar no interior antes de culpar o exterior. 
Muitas pessoas passam a vida buscando mais dinheiro, melhores relacionamentos, felicidade e acabam onde começaram. Porque buscam fora, quando tudo o que queriam estava diante deles. 

Mudar sua Perspectiva 

“O impossível, em geral, é o que não se tentou.” Jim Goodwin
Quem te ensinou que o fracasso é uma coisa ruim? Porque nos sentimos mal, então deve ser ruim? Será que isso é verdade? Toda crença e pensamento que nos faz sentir mal deve ser examinado.

Qual é o benefício que o medo do fracasso nos traz? Pode existir algo de positivo no fracasso? Com certeza. O fracasso nos dá muitas informações. Ele nos mostra onde erramos e quais os pontos que precisam ser aprimorados. Cada “fracasso” nos dá outra chance de um novo pontapé inicial. E se encararmos dessa forma, sem sombra de dúvida, experimentaremos o sabor da vitória.

Todos nós temos nossos medos e eles estão lá por alguma razão. O medo tem um papel fundamental na nossa preservação, sem essa ferramenta não existiríamos como espécie. Use-o como tal, como ferramenta e não como limitação.
O mesmo vale para a vida, aprenda com os momentos difíceis, porque, certamente, eles passam. 

Auto Crescimento 

"Obstáculos são aqueles perigos que você vê quando tira os olhos de seu objetivo. Henry Ford"
Todos nós temos os mesmos medos básicos. Alguns lidam bem com eles e outros ficam aprisionados. Use seus medos como placas de sinalização que indicam onde você tem espaço para crescer. O medo do fracasso é algo que todo mundo enfrenta em um ponto ou outro. Este não é o fim do mundo, mas o início de uma jornada incrível.

O medo do fracasso pode parecer horrível para você, mas de novo, isso é sua imaginação falando. Verifique suas mensagens mentais, quais imagens surgem quando você pensa em fracasso? O que você vê? Você se vê falhando na frente de um grande grupo de pessoas, que, em seguida, continuam a rir e apontar? Eles são apenas pensamentos. Na grande maioria das vezes a plateia está torcendo por você, interessada no que tem a dizer. 

Acolher o Medo 

“O modo mais seguro de falhar é não se determinar a obter sucesso.” Richard Brinsley Sheridan
Todo mundo tem medo, em maior ou menor grau. Ele está encravado em nosso mecanismo biológico.

Quanto mais cedo você aceitá-lo, mais rápido você seguirá em frente. Não é o medo que o impede de ir atrás de seus sonhos, mas o que você decidir fazer por causa desses medos. 

Agir 

“Coragem é resistência ao medo, domínio do medo, e não ausência do medo.” Mark Twain
Limite as opiniões alheias. É natural que queiramos a opinião de pessoas queridas, porém isso poderá abalar a sua confiança. Lembre-se que criar o futuro é a maneira mais segura de prevê-lo. E só você pode fazer isso.

Não importa o que, se você agir, você acabará no lugar certo. Quando você mistura ação com a orientação que vem do seu coração, o seu progresso será rápido, poderoso e gratificante. Enquanto a maioria das pessoas sentam-se à margem esperando o momento perfeito, você já estará lá, aprendendo, fazendo e crescendo. 

O aprendizado que o fracasso nos proporciona é imprescindível para o sucesso. E é isso que devemos estar atentos. Tenha a sensibilidade para não repetir os mesmos erros. Encontre alguém que possa lhe ajudar a ver as situações por ângulos diferentes. Pode ser um amigo ou um profissional.

Reflita um pouco, qual é a forma básica e natural que todos nós usamos para aprender desde que nascemos? Não é por tentativa e erro? Quantas vezes uma criança cai quando começa a caminhar? Será que ela gosta de “falhar”? Ou ela insiste até conseguir caminhar com firmeza porque seu desejo e sua expectativa é maior que o medo? Só não falha quem não se propõe a desafios. 

Viver no Presente 

“Não resida no passado, não sonhe com o futuro, concentre a mente no momento presente.” - Buddha
A maior parte das pessoas vive relembrando o passado ou imaginando o futuro. Lamentamos o que fizemos (ou deixamos de fazer) ou nos preocupamos com o que está por vir. O crítico literário Sainte-Beuve dizia que “a preocupação com o passado rouba-nos metade do presente; a preocupação com o futuro rouba-nos a outra metade”.

Algumas pessoas ficam presas ao passado devido a situações negativas e traumáticas pelas quais passaram. Outras ficam presas ao saudosismo de experiências positivas, desejando apenas que o tempo volte atrás. 

Fazer o que Gosta ou Apaixonar-se pelo que Faz 

“A um coração valente nada é impossível.” Jaques Coeur
Por último, mas não menos importante, é seguir a sua paixão. Se ainda não sabe pelo que é apaixonado, busque até encontrar. Quem sabe fazer teatro, tornar-se um palestrante ou fazer algum curso superior e buscar aquela carreira tão sonhada. A vida é cheia de possibilidades. Tudo é possível com planejamento e persistência.

Dependendo do sonho, pode levar 5 a 10 anos ou mais. Independente do tempo, ser apaixonado por alguma coisa e trabalhar nessa direção é muito melhor do que se sentir preso e nada fazer para mudar. Sentir-se frustrado porque o que se deseja parece estar longe de acontecer, é focar na linha de chegada, deixando de aproveitar e se divertir com a caminhada.

Toda escolha tem seu preço e qualquer atividade tem coisas boas e ruins. No entanto, quando se ama e acredita-se no que está fazendo, tudo fica mais fácil.

Há quem diga que é possível apaixonar-se pelo que se faz e que isso é uma questão de aprendizagem. Pode até ser possível e mais fácil. Pode ser que buscar por algo que se gosta seja mais difícil, pois é o movimento de mudança que requer um trabalho maior, no entanto, é o que nos dá mais motivação para enfrentar os desafios que surgem durante a caminhada e nos permite viver em paz com a escolha que fizemos.

Caso tenha algum projeto ou ideia, coloque-a à prova o mais cedo possível. Não espere até ter a certeza de que tudo está perfeito. Isso o deixará “engessado”, inibirá a criação, a tentativa e erro.

Teste a sua ideia ou seu projeto assim que estiver bom o suficiente. E depois vá aparando as arestas. Sempre atento aos resultados desses testes e redefinindo os planos.

Não é o fracasso que nos limita e paralisa. É o medo.
É natural e todos têm medo do desconhecido. Mas, por certo, ele acabará quando aquilo não for mais uma novidade. Ouse experimentar coisas novas.

O ser humano não tolera o fracasso, mas tolera o medo que é incapacitante e o maior ladrão de sonhos. Liberte-se!



A ideia de falar em público gera um medo pior que o da morte em muitas pessoas. No entanto, é bem provável que, em algum momento, teremos que falar diante de uma plateia e precisaremos lidar com esse medo. 

 

Por que temos medo de falar em público?
Nós, seres humanos, somos animais sociais. Isso é parte de nossa herança ancestral e a preocupação com nossa reputação pode atingir níveis exacerbados. A ansiedade pode disparar quando algumas pessoas falam com alguém que representa a autoridade.  

Antes de uma apresentação, é natural imaginarmos o que os outros podem pensar e, inclusive, temer uma resposta desfavorável. O medo é, na verdade, uma reação de defesa gerada pela parte do cérebro chamada sistema límbico. Tal sistema nos acompanha desde os tempos das cavernas, ele é o responsável por nossas emoções e instinto de sobrevivência, é o que dispara o instinto de fugir ou lutar.

Esse tipo de reação à ameaça, mesmo que imaginável, foi estudada por Charles Darwin. Durante uma visita ao zoológico ele colocou seu rosto perto do vidro, na frente de uma cobra que estava pronta para atacar. Toda vez que a cobra se arremessava para frente, involuntariamente, ele fazia uma careta e dava um pulo para trás. Isso o levou a concluir que a imaginação de um perigo nunca experimentado é mais forte que a razão.

O que acontece no seu corpo quando está com medo?
Imaginar ou vivenciar uma situação de perigo (cobra, falar em público, altura, andar de avião, etc) gera uma descarga elétrica em seu cérebro para estimular a secreção de um hormônio chamado adrenalina, que será jogada no sangue e enviada para o seu coração, e dali é distribuída para os membros do seu corpo, para uma rápida ação de fuga. Como consequência, o coração fica acelerado, a respiração aumenta, as pupilas se dilatam, o que dificulta a leitura de perto (discurso, lembretes) melhorando a visão de longo alcance para a fuga. Com isso, você enxerga com mais detalhes a sua audiência, o que vai piorando, ainda mais, o seu desconforto diante da plateia. O cérebro se concentra em somente uma coisa para poder identificar de onde vem a ameaça, e, consequentemente, você perde o foco na apresentação.
Além disso, seu corpo contrai a musculatura do pescoço forçando sua cabeça para baixo e sua coluna faz uma curva. Essa é uma postura de falta de poder (estudo da professora Amy Cuddy, apresentado no nosso post “Mude sua postura, mude sua vida”).

 
Durante os movimentos apressados dos músculos no processo de fuga, a adrenalina é metabolizada pelo corpo. Não ocorrendo a fuga, ficamos com um excesso de energia. E, como consequência, há um descontrole generalizado do corpo, surgindo o nervosismo e outros sintomas que muitos já experimentaram.

Como Lidar com a Ansiedade de Falar em Público
A ansiedade e adrenalina podem servir de combustível para entregarmos nossa mensagem com qualidade, o problema é ser paralisado por elas. A seguir, listamos algumas dicas de como minorar o stress antes de uma apresentação.

Mudança de Foco
Preste atenção nos seus pensamentos, se eles estão, obsessivamente, focados no que pode dar errado durante a apresentação: eu estou tão nervoso(a); e se der branco? e se eu não conseguir responder as perguntas? … Nesse caso, seu foco está no medo ou no que pode acontecer se falhar. Lembre-se, tudo que você foca aumenta, ou seja, a energia vai para onde o foco está.
  • A coach de voz Cynthia Zhai ensina um exercício para mudar o foco que é simples, rápido e, além disso, ajuda a relaxar o corpo: fique em pé com os dois pés levemente afastados (linha do quadril), braços esticados ao longo do corpo. Respire lenta e profundamente, expirando pela boca; à medida que você inspira contraia os pés, joelhos, coxas, suba os ombros e cerre os dentes e punhos. Mantenha a respiração suspensa e a tensão por pelo menos 5 segundos. Lentamente solte os músculos junto com a respiração pela boca. Repita esse exercício algumas vezes quando estiver tenso, pois ele ajuda a obter o controle do seu corpo e muda o foco do medo para a tensão muscular.
  • Outro exercício para mudança de foco é contar de 50 a 1 (de trás para frente). A mente para de se concentrar na fonte da ansiedade e direciona para outra atividade que não produz adrenalina.
Visualização
Visualize o sucesso de sua apresentação. Maiores detalhes no post “Visualizando o que Você Deseja”. Lembre-se que o nosso estado mental pode ser mudado com treinamento. E só você tem o controle disso. A decisão está nas suas mãos.
Deixaremos o link aqui para você ler e praticar essa técnica poderosa.
http://www.lunineurocomunicacao.net/2014/11/visualizando-o-que-voce-deseja.html
Outra dica é pensar em algum lugar que lhe proporcione muita tranquilidade, pode ser uma praia, uma cachoeira ou um passeio com a pessoa amada, etc. Enriqueça a sua imaginação com muitos detalhes na cena. Poderá fazer com os olhos fechados se preferir. Faça isso até sentir que sua respiração voltou ao normal e você está mais tranquilo.

Músicas
Ouvir músicas que acalme, antes da apresentação.

Alimentação
  • Beba um suco cítrico (laranja, limão) antes de começar sua apresentação, pois eles baixam a pressão sanguínea, diminuem os hormônios de stress e ansiedade em 15 minutos e seu efeito dura por 40 minutos.
  • Evite alimentos estimulantes do sistema nervoso (café, refrigerante de cola, chá-mate, energéticos, álcool).
Sono
Durma um número adequado de horas na noite que antecede à apresentação.

Respiração

Concentre-se na sua respiração e não no que estiver causando a tensão. Perceba o ar entrando e saindo dos seus pulmões. Isso fará seu cérebro parar de detectar a tensão e, consequentemente, parar de enviar estímulos para a glândula adrenal diminuindo, assim, a produção de adrenalina.

Respirar profundamente pode ajudá-lo a reduzir o estresse e a fornecer oxigênio ao cérebro para aumentar o foco. Tente dar, no mínimo, oito respiradas profundas por minuto. Demore quatro segundos para inalar, prenda a respiração por quatro segundos e demore outros quatro segundos para soltar o ar lentamente pela boca. Continue a respirar dessa maneira até perceber seu corpo mais relaxado e mais clareza de pensamento.
Você pode experimentar, também, um exercício japonês que diminui a pressão sanguínea e a quantidade de hormônios de stress. Coloque as mãos no topo de sua cabeça ou sobre seus olhos ou coração, respire fundo contando até dez enquanto visualiza uma luz curativa vindo em sua direção através de suas mãos.

Chiclete
Mastigar um chiclete antes de entrar no palco poderá aliviar a tensão nos maxilares.

Escolha Uma Palavra
Existe uma boa razão para as pessoas que meditam usar a palavra “Om”. Pesquisas mostram que pensar em uma palavra – qualquer palavra – altera a frequência do cérebro, ele passa de ondas Beta (onda cerebral de ritmo rápido e irregular) para Alfa (onda estável e rítmica).
Lavanda ou Baunilha
Passe creme ou óleo de lavanda ou baunilha nas mãos um pouco antes de começar sua apresentação. Esses aromas reduzem a ansiedade.
Para conseguir diminuir a ansiedade diante de uma plateia é necessário adotar um conjunto de medidas. Cada detalhe é muito importante. Prepare-se com muita antecedência. Antes que seu hipotálamo seja convencido, pelo seu corpo, que você está diante de um grupo de predadores.
Com essas dicas, conseguirá “enganá-lo” e o hipotálamo promoverá uma sensação de relaxamento que o ajudará muito.
Você deve estar curioso para utilizar essas dicas na sua próxima apresentação, não é mesmo? Ótimo!
Lembre de algum amigo que é muito ansioso. Lembrou? Compartilhe com ele essas informações. É bom que ele saiba disso.
Até mais!


Aprendemos na escola que somos animais racionais, usamos a razão nas nossas escolhas. Será mesmo? Muito do nosso comportamento é controlado por uma parte jurássica do nosso cérebro chamada, entre outros nomes, de cérebro reptiliano que, quando ativado, tem total prioridade sobre os outros dois cérebros: o sistema límbico, relacionado às emoções e o neocórtex, camada mais externa e genuinamente humana, onde opera o raciocínio. 

Julgamos o tempo todo, quase que na velocidade da luz, se algo é bom ou ruim, tudo baseado na nossa herança pré-histórica: “isto é comida para mim ou eu sou sua fonte de alimento?” Ainda usamos esse tipo primitivo de pensamento porque é rápido, barato (energeticamente) e efetivo.



Baseado no comportamento do outro, decidimos se podemos nos aproximar, se devemos nos afastar ou ignorá-lo completamente. Em fração de segundos nosso cérebro reptiliano, automaticamente, classifica todas as pessoas que entram no nosso campo de visão em quatro categorias:

  • Amigo: seguro ou pode oferecer um benefício em potencial;
  • Inimigo (predador): uma ameaça em potencial;
  • Parceiro sexual: companheiro potencial, talvez possamos passar nossos genes adiante;
  • Indiferente: não oferece benefício algum, não é uma ameaça ou parceiro em potencial, sem importância alguma.

Existem mais de 7 bilhões de pessoas no planeta, portanto por padrão estamos programados a ser indiferentes. Quando classificados como indiferentes, não importa se a mensagem é importante ou não, ela será ignorada certamente.
Culturalmente, damos muito peso ao que é dito, às palavras. No entanto, conforme o estudo, mostrado no post anterior, do psicólogo Albert Mehrabian, 93% da comunicação ocorre através da linguagem não-verbal: tom de voz, postura, gestos, expressões faciais…
Estes estudos também descobriram que as pessoas diante de uma mensagem verbal que tenha um componente não-verbal incongruente (incoerente, incompatível), tais como as palavras “eu te respeito” pronunciadas com um sorriso reprimido. Em geral, as pessoas respondem à mensagem não-verbal, mesmo que não a reconheçam conscientemente!
Visto que as pessoas reagem mais à incongruência, esta pode minar ou destruir a comunicação, mesmo quando a preparação do conteúdo estiver sendo feito de forma correta. Mais importante que o conteúdo é como ele soa (tom de voz) e como ele aparece (postura).

Se estamos programados a ser indiferentes, como podemos mudar isso de maneira a nos conectarmos com o público, colegas de trabalho, família e ser mais aceito?
Por sorte, os sinais que devemos passar aos outros para sermos classificados como amigos são simples. Veja por você mesmo:
Humor é contagioso: sempre verifique o seu estado de espírito antes de uma apresentação, pergunte-se se ele está de acordo com a energia que você quer passar. Caso não esteja, ligue para um amigo(a) bem-humorado antes da apresentação. Se você está entediado, não apresente nada, é preferível adiar a apresentação. Esse humor é facilmente contagiante.
Contato visual: estabelecer e manter contato visual com o público é sinal de respeito e reconhecimento, além de lhe fornecer valioso feedback. Divida sua plateia em quadrantes e a cada frase estabeleça contato visual com uma pessoa de cada quadrante. 


      
Sorrir (com os olhos, inclusive) por, pelo menos, 3 segundos. Sorriso é o sinal universal que indica “está tudo bem!” e, também, é uma maneira de indicar ao cérebro reptiliano das outras pessoas que  você não fará nenhum mal a elas. Quanto mais genuíno o sorriso, melhor. O neurologista francês do século XIX, Guillaume Duchenne identificou dois tipos distintos de sorriso: o verdadeiro e o forçado ou falso. Segundo ele, um sorriso verdadeiro levanta um músculo das bochechas, os olhos ficam mais fechados e cria “pés de galinha” em torno dos olhos.
Perceba a diferença dos sorrisos na imagem abaixo.

Sobrancelhas levemente elevadas indicam reconhecimento: "Eu reconheço você". Levantar a sobrancelha acaba abrindo mais os olhos, quase exibindo sua parte branca. Essa exposição acalma a(s) pessoa(s) que você está encarando.

Exibir a barriga desprotegida e as mãos vazias na altura da cintura: quando passamos a andar com os dois pés, a nossa barriga deixou de estar protegida pelo solo e nela encontram-se vários órgãos delicados. 
Quando estamos sob estresse (real ou imaginário), instintivamente, procuramos protegê-la. No entanto, ao exibirmos essa área sem proteção, inspiramos confiança ao cérebro primitivo do outro, pois estamos expondo uma das regiões mais vulneráveis do nosso corpo, deixando claro que não carregamos nenhuma “arma”.




Uma maneira de controlar o stress e, ainda assim, externar confiança é deixar suas mãos na área do estômago – trazendo a atenção inconsciente para essa região – protegendo seu umbigo com as mãos.
 
Dada a quantidade de estímulos com que somos bombardeados diariamente, indiferença é uma defesa e não uma falha. No entanto, em um mundo complexo como o nosso, serão apropriados julgamentos feitos em uma era onde nossa sobrevivência dependia da decisão de lutar ou fugir?

Comece a prestar atenção nas pessoas a sua volta e conecte-se com alguém que não chama a sua atenção. Faça contato visual, converse, peça sua opinião ou a convide para um café. Você pode descobrir que tem mais em comum com ela do que o seu cérebro primitivo inicialmente julgou.

Você, provavelmente, já sabe que colocando em prática esses conhecimentos facilitará muito a comunicação e sua aceitação pela plateia e pelas pessoas, de modo geral.


A voz humana é um dos instrumentos mais poderosos no mundo, ela pode iniciar uma guerra ou uma paixão louca. Pode levar uma multidão à loucura e delírio ou a um sono profundo.
O modo como as palavras são ditas tem mais poder do que o seu conteúdo. Conforme um estudo realizado pelo psicólogo Albert Mehrabian, a audiência divide a sua atenção da seguinte maneira:
. 55% na linguagem corporal,
. 38% na qualidade da voz,
.   7% na mensagem,
A voz reflete o estado emocional e é um indicativo de como você se relaciona com a vida.
Um estudo realizado pela Columbia School of Business, em Nova Iorque, comprovou que o poder muda a voz das pessoas. Tanto homens quanto mulheres em posição de poder ficam com a voz mais dinâmica e controlada. O poder provoca três mudanças no cérebro:

. Diminui o cortisol (hormônio de estresse),
. Ativa a parte do cérebro que está orientada à ação,
. Aumenta os níveis de confiança,
Por se tratar de um processo subconsciente, qualquer pessoa pode ter a voz com tais características. Porém, os pesquisadores admitem ser possível treinar a voz para que transmita poder. Um exemplo disso foi Margareth Thatcher que fez um treinamento vocal para baixar o tom e ficar com a voz mais estadista.
Há diferença entre uma voz poderosa e uma voz gritante. A voz ideal mistura tons altos e baixos, diferentes timbres e inflexões, pois isso mantém a audiência interessada. Uma voz sem inflexão é monótona e mais poderosa que qualquer sonífero. Faça o teste, lendo o texto abaixo em voz alta, sem inflexão alguma.
“É fácil trocar palavras, difícil é interpretar silêncios
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar.
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor.
É fácil sentir o amor, difícil é conter sua torrente.”
                                                 Fernando Pessoa
Agora leia enfatizando as palavras sublinhadas.
“É fácil trocar palavras, difícil é interpretar silêncios
É fácil caminhar lado a lado, difícil é saber como se encontrar.
É fácil beijar o rosto, difícil é chegar ao coração.
É fácil apertar as mãos, difícil é reter o calor.
É fácil sentir o amor, difícil é conter sua torrente.”
Observe como o texto soa mais interessante, aplique essa técnica nos seus textos, dê vida a sua mensagem, como se estivesse contando uma história.
Existem três componentes em uma voz poderosa: personalidade, paixão e um timbre bem modulado. Os dois primeiros componentes são alcançáveis ou alcançados quando estamos em harmonia com a mensagem que estamos passando. Alcançamos o terceiro através de treinamento.
Personalidade – é “você”, o que compartilha com sua audiência, seus pensamentos e crenças. É o resultado de suas experiências e o quanto elas serviram para dar cor a sua vida. A essência de quem você é está na sua voz.
Paixão – é a intenção alinhada ao conteúdo e a personalidade. O conteúdo é o que você tem a dizer, suas palavras e ideias manifestadas de maneira falada. Quando o que você fala está de acordo com sua intenção, temos paixão. Se existe um conflito interno, pode ter certeza que ele é percebido pelas pessoas que o ouvem e seu discurso perde poder.
Timbre bem modulado – dois aspectos são cruciais para uma voz marcante: Dicção e tom vocal.
A dicção é o modo como uma pessoa articula e pronuncia as palavras. Uma boa dicção faz com que você soe mais inteligente e fácil de entender. 
O tom vocal é a ressonância, timbre e a beleza de uma voz. Grande parte da beleza e qualidade da voz é produzida pela ressonância que começa na laringe e estende-se pela cavidade oral e cavidade nasal.
Respirar corretamente é essencial na construção de uma voz agradável. A maioria das pessoas respira rápida e superficialmente, usando somente a parte superior do peito. No entanto, sua respiração deve vir do diafragma. Pratique inalando profundamente durante 5 segundos, até que o ar encha totalmente seu abdômen e em seguida expire por 5 segundos.
Ronnie James Dio, conhecido como “A Voz do Heavy Metal”, um dos melhores vocalistas da história do rock in roll, apesar de conhecer diversas técnicas vocais, afirmava, categoricamente, que sua habilidade era devido à respiração diafragmática, que utiliza desde os cinco anos de idade quando começou a tocar trompa, um instrumento que exige domínio desse tipo de respiração para executar os acordes e notas.
Tente trabalhar essa nova maneira de respirar junto com sua fala. Procure respirar no final de cada frase – se você usar o método de respiração profunda, você deve ter ar suficiente para passar para próxima frase, sem ter que fazer uma pausa para respirar. Isso também vai dar aos seus ouvintes a oportunidade de absorver o que você está dizendo.
Observe sua postura, procure manter seus ombros para trás e o queixo na linha do horizonte, essa postura ajuda a projetar a voz e lhe dá um ar mais confiante.
A velocidade da fala ideal em uma apresentação é o mesmo ritmo de uma conversa, aproximadamente 140 a 170 palavras por minuto. Se você usa mais de 170 palavras por minuto comece a usar pausas, esse artifício ativa a curiosidade e mantém a plateia atenta.
Intercalar ritmos também é uma boa ideia: discurso mais lento faz com que a mensagem passada soe mais importante, enquanto que um passo mais acelerado passa energia e dinamismo. 
Independente da cultura, inflexão descendente no final das sentenças indica autoridade e poder. Enquanto a inflexão ascendente indica dúvida e insegurança.
Elaboramos um E-Book com algumas dicas de dicção e oratória. Solicite-o por email. Teremos satisfação em enviá-lo para você.
Qualquer pessoa pode transformar o som de sua voz. A mesma técnica usada pelos atores está disponível para você. Procure um fonoaudiólogo ou um coach de voz para trabalhar essa parte e melhorar sua dicção e tom vocal se achar necessário.